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A Diabetes

Saiba mais sobre a diabetes aqui.

O que é a diabetes?

A diabetes é uma doença crónica cada vez mais frequente na nossa sociedade, que atinge ambos os sexos e todas as idades2. Contudo a prevalência tende a aumentar com a idade1.

 

A diabetes é caracterizada pelo aumento dos níveis de açucar (glicose) no sangue, devido à deficiente capacidade de utilização pelo organismo, da nossa principal fonte de energia, a glicose.

 

O aumento dos níveis de glicose no sangue designa-se por hiperglicemia. Esta alteração deve-se a um défice total ou parcial de uma hormona produzida pelo pâncreas, imprescindível para a vida, a insulina.

 

A maior parte dos alimentos que ingerimos são transformados em glicose durante o processo digestivo. Depois de absorvida, a glicose entra na circulação sanguínea e fica disponível para as células.

Contudo, para que esta possa ser utilizada pelas células como fonte de energia, é necessária que a insulina promova a sua utilização e armazenamento, inibindo também a sua libertação pelo fígado. 

 

A falta de insulina e/ou resistência à sua ação leva a alterações muito importantes no aproveitamento dos açucares, das gorduras e das proteínas que são a base de toda a nossa alimentação e constituem as fontes de energia do organismo. Esta situação faz com que a glicose sanguínea (açucar no sangue) atinja valores muito elevados (hiperglicémia).

 

Assim, a hiperglicémia deve-se em alguns casos à insuficiente produção de insulina, noutros à resistência à ação da mesma e, frequentemente, à combinação desdes dois fatores2.

 

Em Portugal a prevalência da diabetes é de aproximadamente de 1 milhão de pessoas, sendo que somente cerca de 600 mil estão diagnosticadas2

 

 

Fonte

1 - www.apdp.pt

2 - OND, Diabetes: Factos e Números de 2011

do Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes em Portugal

Que tipos de diabetes existem?

Diabetes tipo 1.

 

A diabetes tipo 1, aparece normalmente em idade inferior aos 35 anos e atinge na maioria das vezes crianças ou adultos jovens. Aparece de forma brusca e com sintomas diversos, dos quais se destacam a sede intensa, necessidade de urinar com maior frequência e o aumento de apetite, apesar do doente perder peso.

 

É considerada uma doença do sistema imunológico e surge quando as células (β) do pâncreas deixam de produzir insulina. As causas da diabetes tipo 1 não são, ainda, totalmente conhecidas. Contudo, sabe-se que é o nosso próprio sistema de defesa do organismo (sistema imunitário) que ataca e destrói as suas células β1.

 

A causa deste tipo de diabetes não está directamente relacionada com hábitos de vida ou de alimentação errados, ao contrário do que acontece na diabetes tipo 2. Existe uma predisposição genética para sofrer da doença, contudo não se conhece a verdadeira causa1.

 

Os doentes diagnosticados com diabetes tipo 1 precisam de ser tratados com insulina, desde o momento do diagnóstico. Estes doentes não respondem a nenhum outro tratamento farmacológico, porque o seu organismo não é capaz de produzir insulina. 

A insulina é administrada através de uma injeção subcutânea.

 

A diabetes tipo 1 é pouco frequente, representando só 10% dos casos totais, mas a sua incidência está a aumentar, e embora os motivos não sejam completamente conhecidos, é provável que se relacionem, sobretudo, com alterações nos fatores de risco ambiental2.

 

 

Diabetes tipo 2.
 

A diabetes tipo 2 é o tipo mais comum de diabetes, ocorrendo quando o pâncreas não produz insulina suficiente e/ou quando o organismo não consegue utilizar eficazmente a insulina produzida, criando-se uma situação de insulinorresistência. Normalmente surge depois dos 40 anos de idade2 embora, o número de jovens com diabetes tipo 2 esteja a aumentar, devido ao aumento da obesidade infantil e juvenil, que por sua vez aumenta o risco de diabetes tipo 2.


A diabetes tipo 2 pode ser assintomática, ou seja, pode passar despercebida por muitos anos, sendo o diagnóstico muitas vezes efetuado devido à manifestação de complicações associadas ou, acidentalmente, através de um resultado anormal dos valores de glicose no sangue ou na urina, aquando da realização de análises clínicas2.


O aumento da prevalência da diabetes tipo 2 está associado às rápidas mudanças culturais e sociais, ao envelhecimento da população, à crescente urbanização, às alterações alimentares, à redução da atividade física e a estilos de vida não saudáveis, bem como a outros padrões comportamentais2.


Ao contrário da diabetes tipo 1, as pessoas com diabetes tipo 2 não são dependentes de insulina. No entanto em alguns casos podem vir a necessitar dessa insulina para o controlo da hiperglicemia, caso não a consigam controlar através de uma alimentação e atividade física adequadas, ou eventualmente através de antidiabéticos orais prescritos pelo seu médico2.


Desconhece-se a causa exata da diabetes tipo 2, mas há mais probabilidades de surgir em pessoas: 

• Com mais de 40 anos; 

• Com excesso de peso; 

• Com história familiar de diabetes; 

• Que estiveram sob stresse crónico; 

• Com tensão alta; 

• Com colesterol ou triglicéridos elevados
 

Se tiver familiares com três ou mais destes problemas, deverá aconselhá-los a procurar o médico assistente.
 

 

Diabetes gestacional.
 

A diabetes Gestacional é a que ocorre durante a gravidez. Esta forma de diabetes surge em grávidas que não tinham diabetes antes da gravidez e, habitualmente, desaparece quando esta termina1. O controlo dos níveis de glicose no sangue reduz significativamente o risco para o recém-nascido2.
 

Contudo, quase metade das grávidas com diabetes virão a ser, mais tarde, pessoas com diabetes do tipo 2 se não forem tomadas medidas de prevenção1.


Em Portugal, a diabetes gestacional ocorre, aproximadamente, em 1 em cada 20 grávidas e, se não for detectada através de análises e a hiperglicemia corrigida com dieta, e por vezes com insulina, a gravidez pode complicar-se para a mãe e para a criança1. O aumento do nível de glicose materna pode resultar em complicações para o recém-nascido, nomeadamente macrossomia (tamanho excessivo do bebé), traumatismo de parto, hipoglicemia e icterícia. Pontualmente, podem, por exemplo, ocorrer abortos espontâneos1.


A diabetes gestacional está também associada a um risco aumentado de obesidade e de perturbações do metabolismo da glicose durante a infância e a vida adulta dos descendentes2.

 

 

Fonte

1 - www.apdp.pt

2 - OND, Diabetes: Factos e Números de 2011

do Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes em Portugal

Quais os sintomas?

A diabetes tipo 1 aparece de forma súbita, em crianças e jovens adultos, e os sintomas são muito nítidos:


• Urinar muito (por vezes, pode voltar a urinar na carnal - POLIÚRIA; 

• Ter muita sede - POLIDIPSIA; 

• Emagrecer rapidamente; 

• Grande fadiga com dores musculares; 

• "Comer muito sem nada aproveitar"; 

• Dores de cabeça, náuseas e vómitos:
 

 

Na diabetes tipo 2, os níveis de glicemia vão aumentado ao longo do tempo, sendo possível que não sinta nada de anormal. No entanto, quando há sintomas, estes podem ser:


• Urinar em grande quantidade e várias vezes; 

• Sede constante e intensa; 

• Fome constante e difícil de saciar - POLIFAGIA; 

• Sensação de boca seca - XEROSTOMIA; 

• Fadiga; 

• Comichão (prurido) no corpo (sobretudo ao nível dos órgãos genitais); 

• Visão turva1.
 

Caso identifique algum dos sintomas, fale com o seu médico.

 

 

Fonte

1 - www.apdp.pt

2 - OND, Diabetes: Factos e Números de 2011

do Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes em Portugal

Quais as suas complicações?

Com o passar dos anos, devido a uma persistência de níveis elevados de glicose no sangue, as pessoas com diabetes podem vir a desenvolver uma série de complicações em vários órgãos do organismo.


Cerca de 40% das pessoas com diabetes vêm a ter complicações tardias da doença. Estas complicações evoluem de uma forma silenciosa e muitas vezes já estão instaladas há algum tempo, quando são detetadas. São causadas principalmente por lesões dos vasos. Os vasos sanguíneos conduzem, através do sangue, oxigénio e nutrientes para as várias zonas/áreas do nosso corpo. As lesões desses vasos comprometem a alimentação dos tecidos e dos órgãos, com graves consequências. As alterações ao nível dos médios e grandes vasos (doença macrovascular) têm repercussões ao nível do cérebro, coração e pés. As lesões nos pequenos vasos (doença microvascular) são responsáveis por alterações no fundo do olho (retina), rins e nervos periféricos1.


O diagnóstico precoce, o bom controlo metabólico e a vigilância periódica são as principais armas para prevenir ou atrasar o início e a evolução das complicações. As principais complicações crónicas da Diabetes são:
 

• Complicações microvasculares (lesões dos pequenos vasos sanguíneos) - Retinopatia; Nefropatia; Neuropatia


• Complicações macrovasculares [lesões dos grandes vasos sanguíneos) - Macroangiopatia (doença coronária, cerebral e dos membros inferiores)


• Complicações neuro, macro e microvasculares - Pé diabético
 

• Outras complicações - Disfunção sexual; Infecções1

 

 

Fonte

1 - www.apdp.pt

2 - OND, Diabetes: Factos e Números de 2011

do Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes em Portugal

Como detetar a doença?

Estes são os testes mais comuns utilizados para detetar o excesso de glicemia:
 

Glicemia ocasional.
 

Normalmente esta análise é incluída no conjunto de análises de rotina ao sangue. Um nível de glicemia igual ou superior a 200 mg/dl, com sintomas, pode indicar a presença de diabetes.
 

Glicemia em jejum.
 

É este o teste padrão da diabetes. Fazem-se análises ao sangue depois de um jejum de oito horas. Se a glicemia for igual ou superior a 126 mg/dl, em 2 ocasiões separadas de curto período de tempo, confirma-se o diagnóstico de diabetes.
 

Prova de tolerância à glicose.
 

Esta prova consiste em fazer uma colheita de sangue, após 8 horas de jejum, e depois de beber 75 grs. de glicose dissolvidas em água. Duas horas depois volta a determinar-se o nível de açúcar no sangue. É diagnosticada diabetes se os valores forem acima das 200 mg/dl. Quando os valores se situam entre os 140 e 199 mg/dl, pode afirmar-se que o doente é intolerante à glicose, o primeiro passo para que possa vir a desenvolver a diabetes. Este teste é realizado apenas quando os resultados anteriores não forem suficientes/conclusivos para estabelecer o diagnóstico.
 

Utiliza-se uma versão desta prova para detetar a presença de diabetes durante a gravidez.
 

Monitorização da glicemia.
 

Tratar a diabetes significa evitar níveis glicémicos muito elevados ou muito baixos e mantê-los o mais possível dentro dos valores normais. Os testes da diabetes, vulgarmente conhecidos como teste de glicemia, permitem avaliar se a doença está bem controlada.

 

 

Fonte

1 - www.apdp.pt

2 - OND, Diabetes: Factos e Números de 2011

do Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes em Portugal

Há tratamento?

Embora não haja, por enquanto, cura para a diabetes, a doença pode ser controlada, mantendo os níveis de glicemia perto dos valores normais, através de um planeamento cuidado das refeições, de uma actividade ou exercício físico regular e de medicamentos, caso sejam necessários.

 

O seu médico pode prescrever-lhe a medicação mais adequado para si, aconselhá-lo e apoiá-lo, mas o verdadeiro controlo depende de si.

 

 

Fonte

1 - www.apdp.pt

2 - OND, Diabetes: Factos e Números de 2011

do Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes em Portugal

Como prevenir?

A prática regular de exercício físico, os bons hábitos alimentares e o cuidado com o peso podem ajudar a prevenir ou adiar alguns casos de diabetes tipo 2.

 

Por isso, se tiver ou conhecer alguém com estes sintomas, deve procurar, rapidamente, o seu médico, que decidirá se há necessidade ou não de fazer testes de diagnóstico.

 

 

Fonte

1 - www.apdp.pt

2 - OND, Diabetes: Factos e Números de 2011

do Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes em Portugal

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